Lahore Paquistão

Lahore não é a maior cidade do Paquistão, mas com sete milhões de habitantes é uma grande metrópole. Será talvez a urbe de grandes dimensões mais agradável do país, sendo conhecida como a “capital cultural” do Paquistão e por vezes apelidada de “Paris do Oriente”.

Existe um ambiente de certo progressismo e de tolerância religiosa em Lahore e a UNESCO classificou dois dos seus locais históricos como Património Mundial da Humanidade, o Forte Lahore e os Jardins Shalamar.

É uma das cidades mais antigas da região, tendo sido ocupada por Hindus, Ghaznávidas, Ghuridas e Mughals. Os Persas ocuparam-na depois, tendo sido derrotados pelos Sikhs que por sua vez a perderam para os Ingleses.

O que ver e fazer em Lahore

Mesquita de Badshahi

Aqui vai algo que provavelmente são sabia: desde a sua construção, em 1673, até meados do século XX, a mesquita de Badshahi foi a maior do mundo. O grandioso Taj Majhal poderia na realidade ser metido no seu pátio!

Um par de décadas após a sua conclusão os Sikhs conquistaram Lahore e a mesquita foi encerrada.  Os novos senhores da região usaram o complexo como estábulo e como quartel, algo que prosseguiu durante a ocupação britânica. Apenas em 1947, com a independência do Paquistão, foi a mesquita devolvida à sua função original. Depois de séculos de abusos a estrutura estava em péssimas condições e desde então foram realizadas sucessivas intervenções de restauro. Em 2008 a Mesquita de Badshahi tinha regressado ao seu esplendor original.

Localiza-se a oeste do Forte de Lahore, junto às muralhas da cidadela, tendo como vizinhos outros notáveis edifícios, como o Mausoléu do poeta Muhammad Iqbal, o portão de Roshnai e o Samadhi de Ranjit Singh. O amplo complexo é marcado pelos quatro minaretes, de 60 m, que se erguem em cada um dos cantos. No interior os recintos têm capacidade para receber cerca de 100.000 fiéis, uma décima parte deles na própria sala de orações.  

Forte Lahore

O Forte Lahore será o edifício mais icónico da cidade. O local onde se encontra foi usado para fins defensivos durante centenas, senão milhares, de anos, mas foi no início do século XVI que ganhou uma forma próxima da que hoje ali podemos ver.

Em 1566 o imperador Akbar, que transformou Lahora na sua capital, mandou construir ali o forte, com influência das arquitecturas Islâmica e Hindu. Desde então a estrutura foi atacada, destruída, reconstruída, expandida, renovada e alterada.

Foi residência de Ranjit Singh, fundador do império Sikh, e foi depois usado pelos Britânicos.

O forte é na realidade um imenso complexo de edifícios onde se encontram instalados diversos museus e no seu interior o visitante encontrará um número considerável de pavilhões, pátios, jardins e muitos recantos encantadores. Sobre tudo isto reina um certo encanto decadente.

Jardins Shalamar

Os Jardins Shalamar são considerados Património Mundial da Humanidade pela UNESCO no Paquistão.

Foram criados inicialmente em 1641 por Shah Jahan, um dos mais poderosos imperadores Mughal. A filosofia que reinou ao seu planeamento assenta no princípio utópico da criação de um paraíso na Terra, onde os humanos pudessem co-existir em plena harmonia com a Natureza. Inspiraram-se nos modelos de jardinagem persas, com abundante uso de água, e se foram construídos para deleite da família real a verdade é que desde sempre tiveram segmentos abertos ao público em geral.

Mausoléu de Ali Mardhan

Quando foi construído, por volta de 1650, era o centro de um fascinante jardim, mas a pressão urbana foi engolindo o espaço verde que o rodeava e hoje para o visitante ali chegar terá que caminhar por um obscuro caminho que não deixa adivinhar o esplendor que encontrará no fim.

O mausoléu foi inicialmente construído para a mãe do governador Ali Mardhan, responsável por uma extensa área que cobria a região de Cachemira e Lahore, estendendo-se até Cabul. Contudo, quando o influente governador se juntou à sua mãe o mausoléu adquiriu o seu nome.

Encontra-se hoje num estado negligenciado mas detém ainda uma magia que recompensará quem quer que ali se desloque.

Samadhi de Ranjit Singh

Trata-se do mausoléu de Ranjit Singh, o governante Sikh que entre 1801 e 1832 foi imperador.  A sua construção foi ordenada pelo filho do imperador, Kharak Singh, no local onde o pai foi cremado, mas quando se concluiu, em 1848, foi já sob o comando de outro dos filhos, Duleep Singh.

É um bonito edifício, de cor branca, localizado nas proximidades da mesquita Badshahi, e encontra-se em bom estado de conservação. É verdade que sofreu alguns danos aquando do sismo que abalou Lahore em 2005, mas as autoridades logo procederam às necessárias obras de restauro.

A sua arquitectura revela influências dos estilos Islâmico, Hindu e Sikh, com bem trabalhadas cúpulas e uma balaustrada ornamentada que envolve o segmento mais elevado do edifício.

O mausoléu pode ser visitado, mas será necessário cobrir a cabeça e remover o calçado.

Mesquita Wazir Khan

Esta mesquita foi construída em 1635, durante os tempos do imperador mughal ShahJehan, devendo o seu nome ao homem responsável pela construção, Nawab Wazir Khan, governador de Lahore.

Actualmente o complexo, que se localiza próximo do Portão de Delhi, na cidadela de Lahore,  está um pouco negligenciado o que para muitos realça até o seu charme.

Quatro minaretes marcam os seus cantos e no seu interior existem cinco áreas principais, cada uma com uma cúpula, sendo que a que ocupa a posição central é o salão principal de oração, tendo as paredes cobertas por belos frescos. O edifício foi construído em tijolo, um material de construção habitual na sua época e apresenta dos melhores trabalhos em mosaico que foram criados no período Mughal.

Museu de Lahore

Este riquíssimo museu foi criado em 1865 e instalado no actual edifício em 1894. A sua exposição conta a história do Paquistão, incluindo peças que cobrem o período de tempo que vai das civilizações Mohenjodaro e Harrapa até aos nossos dias.

O museu é composto por cerca de vinte salas, podendo-se ali observar Corões de grande valor histórico, pinturas, esculturas, peças de tapeçaria, documentos manuscritos, selos e armas.

O museu está encerrado às Sextas-feiras e na primeira Segunda-feira de cada mês, abrindo nos restantes dias entre as 9:00 e as 16:00. O bilhete para visitantes estrangeiros custa 400 PKR.

Minar-e-Pakistan

Este monumento tem uma forte simbologia, representando a vontade nacional paquistanesa frente à tradicional rival Índia.

Situa-se no Parque de Lahore, um dos maiores parques urbanos do país, tendo sido construída entre 1960 e 1968, exactamente no local onde a Resolução de Lahore foi aprovada em 1940. Esta Resolução representou a primeira expressão formal do desejo da criação de um Estado soberano para os muçulmanos da Índia Britânica, tendo aberto as portas à independência do Paquistão em 1947.

O monumento, com um total de 70 metros de altura,  foi criado por um arquitecto do Punjab, Nasreddin Murat-Khan, combinando os estilos Islâmico, Mughal e Moderno. Na sua base, para além de textos corânicos, pode-se ver a Resolução de Lahora em Bengali, Urdu e Inglês, assim como a Resolução de Deli.

Muhammad Mahmood Alam Road

Para quem gosta de comer bem, esta artéria de Lahore é o paraíso. É também conhecida como M M Alam Road, devendo o seu nome ao ás da aviação paquistanesa que combateu na guerra que em 1965 opôs o seu país à Índia, durante a qual foi creditado com nove vitórias.

A avenida estende-se do mercado de Gulberg ao mercado de Firdous e aqui se encontram os melhores restaurantes da cidade, como o Village Restaurant,  o Jammin Java Café, o Pompei ou o Burger Hub.

Fronteira de Lahore Wagah

A fronteira de Lahore Wagah, entre o Paquistão e a Índia, localiza-se a 30 km a leste da cidade. E porque é que uma fronteira é um lugar a visitar? Bem, esta tem uma particularidade. Desde 1959 que paquistaneses e indianos, cada uns do seu lado da linha, efectuam uma cerimónia militar que marca o encerramento diário dos portões da fronteira e que se inicia exactamente à mesma hora, ou seja, às 17:30, durando cerca de sessenta minutos.

Esta fronteira tem a alcunha de “Muro de Berlim da Ásia” e a atmosfera tem algo de Paralelo 38, a linha que separa a Coreia do Norte e a Coreia do Sul e assistir a esta cerimónia diária é uma experiência única e provavelmente inesquecível.

Para chegar ao local, vá até à Estação Central em Lahora, onde poderá apanhar um autocarro ou um táxi. A carreira #4 parte do exterior da estação de caminhos de ferro a cada quinze minutos e leva cerca de meia hora a chegar. Por um táxi espere pagar 1.000 PKR. Planeie de forma a chegar à fronteira uma hora antes do início da cerimónia.