Vale do Hunza Paquistão

Um pouco mais a norte de Gilgit encontra-se o vale do rio Hunza, com mais cenários de montanha que anunciam a aproximação aos Himalaias, aldeias perdidas e velhos fortes. Será uma boa segunda página para a história da sua incursão nesta parte remota do Paquistão e uma grande oportunidade para caminhadas envoltas por um magnífico ambiente natural.

Para pernoitar e usar como base, Karimabad, uma pequena localidade com uns 15 mil habitantes, é ideal. Ali poderá organizar os seus passeios na região e relaxar nos seus agradáveis cafés onde se poderá também deliciar com a comida local a excelentes preços.

A viagem

Para ultrapassar os pouco mais de 100 km que separam Gilgit de Karimabad terá que se deslocar até ao terminar rodoviário de Gilgit e procurar uma carrinha que esteja prestes a sair para Karimabad. Estes transportes partem assim que todos os lugares estiverem preenchidos.

O percurso é muito cénico, passando por localidades como Sultan Abad, Rahim Abad e Aliabad e pelo vale de Chalt. Conte com um total de quatro horas de viagem.

Note que se preferir pode inverter a ordem neste roteiro de Hunza e Gilgit, saindo de Lahore directamente para Hunza e regressando depois a Gilgit.

O que ver e fazer no Vale do Hunza

Forte de Baltit

Este forte localiza-se numa povoação fundada no século XIII e que foi originalmente a capital do Vale do Hunza. A estrutura tem mais de setecentos anos, claramente influenciada pelo estilo tibetano e com semelhanças com o palácio de Potala em Lhasa.

Os governantes de Hunza viveram aqui durante todos estes séculos, adicionando elementos, melhorando e renovando o forte. Até que em 1945 o Mir de Hunza se mudou para uma residência nova e deixou o forte. Seguiram-se quarenta anos de abandono, até que o Aga Khan Trust for Culture’s Historic Cities Programme interviu, recuperando o forte em 1996.

Para chegar ao forte terá que subir um longo caminho feito de calçada. O bilhete custa 250 PKR e inclui uma visita guiada.

Forte de Altit

Em Altit, do outro lado do rio, encontrará um segundo forte. Também este esteve votado ao abandono, tendo o seu restauro tido início em 2004 e terminado seis anos mais tarde.

Apesar deste forte ser um pouco mais pequeno, a sua arquitectura é igualmente fascinante, assim como o são as histórias contadas pelo guia, cujo serviço está incluído no bilhete de 300 PKR cuja aquisição é necessária para o visitar por dentro.

Junto ao forte, integrando o complexo, existe um encantador café, o Kha Basi Cafe, onde poderá tomar uma bebida ou mesmo uma refeição, enquanto usufrui do cenário deslumbrante.

Ninho das Águias

Este ponto atinge-se depois de uma caminhada desde Karimabad. É sempre a subir e serão necessários cerca de 40 minutos para chegar ao local.

As vistas são, como seria de esperar, fabulosas, especialmente ao pôr-do-sol.

Lago Attabad

Este lago de montanha formou-se muito recentemente, quando em 2010 um deslizamento de terras arrasou uma aldeia, matou várias pessoas e bloqueou o fluir natural das águas que ali corriam,  criando esta superfície de água que apresenta uma tonalidade de azul impressionante.

Conte com uma viagem de 40 minutos desde o Hunza Serena Inn Hotel, em Karimabad. É possível alugar um barco para um passeio no lago, o que custará 2.000 PKR.

Monumento da Rainha Vitória

Este monumento encontra-se próximo de Karimabad, mas num ponto relativamente remoto que apenas se pode alcançar depois de uma caminhada de cerca de uma hora. Durante o trajecto poderá observar os canais de irrigação, um campo de pólo e uma torre de vigia de idade indefinida.

Foi erigido provavelmente por Nazim Khan. É conhecido pelos locais como Malikamu Shikari.

Pasu

A uns 45 km a nordeste de Karimabad, Passu oferece aos visitantes acesso a um glaciar que tem o seu nome existindo nas imediações mais três glaciares: Ghulkin, Gulmit e Batura. Este último, com 57 km de comprimento, é dos maiores glaciares fora das regiões polares.

É também um excelente ponto de observação para os chamados Cones de Passu, uma série de picos de grandes dimensões, muito robustos e com pouca distância entre si.

Ponte Suspensa de Hussaini

Uma ponte para viajantes com um espírito mais radical, conhecida pelo distanciamento entre as ripas de madeira que constituem o seu piso.

A ponte atravessa o rio Hunza, ligando o lugar de Zarabad à aldeia de Hussaini. Foi mandada construir pelo próprio presidente paquistanês quando este ali se deslocou em 1960 numa expedição de caça e concluída em 1967.

A ponte foi danificada pelo caudal do rio, descontrolado, após o deslizamento de terras que em 2010 causou severos danos na região e provocou a criação do lago Attabad.

A decisão: Mais Paquistão ou China?

Nesta fase da viagem, poderá prosseguir para a China, por terra, através da passagem de montanha de Kunjrab, se for esse o seu plano e tiver o devido visto. Se o fizer estará a atravessar a fronteira mais alta do mundo.

Se pelo contrário vai regressar a casa, voltar à Índia ou continuar a explorar o Paquistão, deverá talvez dirigir-se a Skardu, onde existe um aeroporto de onde pode voar, por exemplo, para Islamabad ou Carachi.